domingo, 9 de julho de 2017


Incendios forestales 'Súperincendios': así es el nuevo fenómeno
 que desafía a la estrategia contra el fuego

Son más grandes, más numerosos, más imprevisibles e ingobernables y afectan a más población. WWF advierte de que la actual estrategia basada en la extinción no servirá para combatirlos y apremia a invertir en prevención.



LUCÍA VILLA

Los incendios están evolucionando. Es algo sobre lo que se viene advirtiendo desde el ámbito científico, técnico y ecologista desde hace un tiempo, y que también se confirma en España a tenor de los datos disponibles sobre incendios de las últimas dos décadas. Hace 20 años había más incendios y se quemaba mayor superficie que ahora, pero el cambio climático, el paulatino abandono de los bosques y el caos territorial y urbanístico han hecho que cada vez sean más frecuentes los grandes incendios (de más de 500 hectáreas), que además son cada vez más grandes, ingobernables y afectan a mayor población.
Son los denominados superincendios, como el que ha quemado hace escasos días más de 8.000 hectáreas del parque de Doñana; o el que arrasó unas semanas antes el centro de Portugal, dejando más de 60 muertos. Según se recoge en el informe anual sobre incendios forestalespresentado este miércoles por la organización WWF, en España este tipo de siniestros suponían el 27% del total de la superficie quemada hace dos décadas, mientras que hoy ya suponen, de media, el 37%. En 2016, un año con muy pocos daños por incendios, la mitad de las hectáreas arrasadas se quemaron en este tipo de grandes siniestros.
“Que los grandes incendios tengan cada vez mayor presencia indica que el fuego cada vez encuentra un entorno más favorable para su propagación”, ha señalado Lourdes Hernández, autora del informe.
La organización ecologista explica cómo, por un lado, el cambio climático está cambiando el comportamiento de los bosques, haciendo que se den en invierno incendios que eran típicos del verano y alargando la temporada de riesgo de incendios a la práctica totalidad del año. Por otro, la despoblación de los espacios rurales ha convertido a los bosques en lugares semiabandonados, donde no existen actividades como el pastoreo, el aprovechamiento maderero o de resina, que ayudaban a mantener el monte limpio.
Por último, el informe pone el acento en las nuevas urbanizaciones y desarrollos periurbanosconstruidos al albor de la burbuja inmobiliaria en plenas áreas forestales. En un estudio realizado en el año 2000, se estimó que existen en España aproximadamente 1,1 millones de hectáreas en estas zonas, que son de elevado riesgo de incendio y que, además, han obligado a cambiar la estrategia de los servicios de extinción, centrándose en salvar vidas humanas y no en atacar el fuego forestal. De hecho, en 2015, el número de evacuaciones por incendios fue un 40% superior a diez años antes. Sucede además que el 90% de estas urbanizaciones no cuenta con un plan de autoprotección, a pesar de que la normativa lo exige.

Todo ello contribuye a un "cóctel letal" que ha transformado al fuego haciéndolo más difícil de combatir y a veces, imposible de extinguir sólo con medios humanos.

No estamos preparados

“Hace unas décadas, los incendios tenían un comportamiento relativamente fácil de abordar, pero en los últimos años hemos metido demasiados factores en la ecuación. Ahora son incendios explosivos, con múltiples focos e imprevisibles. Ante este panorama, la apuesta por los medios de extinción no es suficiente”, ha advertido Hernández.
“Hay que cambiar la forma en que afrontamos los incendios. El modelo de los años 90 ya no sirve”, ha añadido el director de conservación de WWF, Enrique Segovia.
Ese es uno de los puntos clave sobre el que advierten también otras asociaciones. España cuenta con un muy buen dispositivo de extinción de incendios, dotado de grandes medios técnicos y humanos; pero suspende en prevención. Un estudio del Colegio Oficial de Ingenieros de Montes estimó que España se gastaba al año unos mil millones de euros al año en extinción, frente a los 300 millones para prevención, una partida afectada además por los recortes de la crisis. Antes, el monto ascendía a los 600 millones de euros.
“Los grandes incendios no se apagan con agua, sino con gestión forestal y planificación territorial. Solo reduciendo la vulnerabilidad del paisaje a la propagación de las llamas evitaremos que los GIF (grandes incendios forestales) devoren comarcas enteras”, señala el informe.

Frente a esta situación, WWF ha solicitado a las administraciones cuatro medidas: conocer el riesgo de incendios a través de la elaboración de mapas; planificar el territorio para eliminar las construcciones ilegales e impedir que se levanten otras nuevas en zonas de riesgo; gestionar los bosques para minimizar el riesgo e informar a las poblaciones sobre la nueva situación.

(Artigo publicado no jornal espanhol Publico)

WWF - O World Wide Found for Nature

domingo, 2 de julho de 2017

OS SUPER-RICOS ABANDONAM O MUNDO





Por que razão o clima interessa tão pouco aos nossos dirigentes? O filósofo Bruno Latour apresenta uma hipótese radical: as classes dominantes têm consciência da ameaça ecológica, mas calam-se. E preferem construir um futuro fora do mundo comum.

(Extrato da Entrevista conduzida por Éric Aeschimann e  Xavier  De La Porte, para L’OBS nº 2732, 16-22 de março de 2017)


Resultado de imagem para BRUNO LATOURA campanha para a eleição presidencial está ao rubro, e e a questão climática está claramente ausente nos três candidatos mais bem classificados nas sondagens: Marine Le Pen, François Fillon e, menorizada em Emmanuel Macron. O senhor, que há 10 anos reflete, no âmbito das Ciências Políticas (Sciences-Po), a necessidade de transformar o ambiente num verdadeiro desafio político, como explica tão grande silêncio?

 O erro está em falarmos de «clima». O termo evoca algo demasiado  longínquo, com o qual não temos de nos preocupar. Seria necessário dar-lhe uma definição mais próxima, e ligá-lo às noções de território e de solo. Os ecologistas ocupam-se do ambiente como se se tratasse de um objeto exterior à política. Não se sentem nada bem a casar o político com aquilo a que eles chamam «natureza», se bem que o político seja feito, desde sempre, de questões de território, de solo, de recursos, de trigo, de cidade, de água. Na realidade, a política é ecológica, por definição. Esse silêncio é, tanto mais chocante, quanto todos sabemos que a globalização já não é sustentável. Age-se como se fosse possível continuar a modernização e como se a Terra pudesse suportá-la. Ora, já não há, nem espaços, nem recursos que correspondam a esse projeto político. Seriam precisas cinco ou seis Terras como a nossa. A consequência política que vemos operar no campo francês, como noutros sítios do planeta é o fechamento sobre o Estado-nação. Devolvam -nos a Polónia, diz o PiS [1]. Devolvam-nos a Itália, diz a Liga do Norte. Devolvam-nos nos a Índia, diz Modi, primeiro-ministro indiano. Devolvam nos a América, diz Trump. O raciocínio repete-se; se é verdade que já não há espaço para uma globalização para todos, então regresse cada um a sua casa. Mas a rutura mais extraordinária é o Brexit. A Inglaterra, essa pequena ilha sem recursos, que, em 1820, abandonou a ideia de alimentar o seu povo, que impôs à Europa a versão mais globalizada do mercado… decide regressar à sua condição de ilha. Em termos históricos, é uma regressão fascinante. E  também não é uma idiotice.


Acha que os partidários do Brexit têm razão?

Em termos absolutos, estão errados. Mas devemos compreender os que acabam por dizer: «Já que nos abandonaram e traíram, ao menos restituam-nos o nosso Estado-nação.»


Quem os traiu? As classes poderosas?

Uma hipótese, para a qual não possuo a prova, apenas alguns indícios: num determinado momento, algures em finais de 1970, ou no início de 1980, os membros mais astuciosos das classes dominantes compreenderam que a globalização não era ecologicamente sustentável. Mas, em vez de alterarem o modelo económico, decidiram  renunciar à ideia de um mundo comum. Daí, o lançamento de políticas desreguladoras que provocaram as desigualdades alucinantes que conhecemos hoje. Essa brutalidade económica -  multiplicada por uma brutalização de expressão política – é um modo de dizer às outras classes: «Lamentamos, boa gente,  mas renunciámos a fazer um mundo comum convosco.» Ao separar-se do mundo, a classe dominante imunizou-se contra a questão ecológica. O meu colega Dominique Pestre[2]  mostrou como, a partir de 1970, após o apelo do Clube de Roma sobre o futuro do planeta, os economistas da OCDE negaram, ou pelo menos minimizaram, a questão dos limites ecológicos.  Quanto a mim, o nível atual das desigualdades só pode compreender-se se o inscrevermos num projeto global em que se admite que não é toda a gente  que poderá desenvolver-se, um mundo em que os ricos concentram lucros desmesurados e se retiram para o seu gated community. Um artigo recente do «New Yorker»  mostra como os multimilionários se preparam para viver depois da catástrofe. Compram terras e constroem abrigos luxuosos nos três sítios que serão menos impactados pela transformação climática: a Nova-Zelândia, a Terra do Fogo e Kamchatka. Outrora, a  mania da sobrevivência era coisa de totós fardados. Hoje, são os super-ricos que abandonam o mundo. Face a isto, não é de espantar que os povos digam: «Se a globalização não é o nosso horizonte comum, dêem-nos, ao menos, um bote salva-vidas.» E o primeiro bote que aparece é o Estado-nação.


Certos políticos falariam de populismo, mas o senhor, não. Porquê?

«Populismo» é um termo acusatório, que nada descreve. É utilizado para não se refletir sobre as boas razões  pelas quais as pessoas desconfiam, para não ver os dramas por que já passaram. Pediram-se-lhes enormes sacrifícios em nome da mundialização. Foram obrigadas a abrir mão das suas proteções em troca de benefícios que nunca chegaram. A acusação de populismo é dramática. Não é absurdo querer ser protegido, o que não faz de ninguém ser de direita.


Como analisa o fenómeno Trump?

Historicamente, os Estados Unidos da América são o segundo país, atrás da Inglaterra, a terem beneficiado amplamente da globalização.  É especialmente sintomático  que eles tenham elegido Donald Trump justamente a seguir ao Brexit, dizendo ao resto do planeta:  «construímos muros, o resto do mundo não é problema nosso.» Trump é curioso porque ele recua no tempo («Make America great again.»), ao mesmo tempo que prolonga o sonho de globalização, mas unicamente à escala de um país, ou até  metade do seu país). Desde que tomou posse, de que se ocupou? Arrasou as montanhas dos Apalaches para retirar o carvão.  Esse sonho de uma globalização para um grupo restrito apoia-se na conceção da economia que já não é industrial, nem mesmo a finança, mas uma mescla de imobiliário e de telerrealidade: construir arranha-céus, viver em cenários artificiais.


Devemos ver nisso uma relação particular que Donald Trump estabelece com os factos e com a verdade científica?

É possível estabelecer um elo entre o apetite de Trump pelos «factos alternativos» e a negação da crise climática. Em 1992, Bush afirmara que o modo de vida americano não era negociável. Trump atravessa uma etapa suplementar ao recusar aceitar a responsabilidade humana nas mudanças climáticas. A minha hipótese é que não poderia sustentar nenhuma das suas promessas sem essa negação. Daí, um governo inteiramente climático-negacionista, em que o representante da Exxon é o único que tem uma vaga consciência  de que há um problema. Consequentemente, a «pós-verdade»: para imaginar que o American way of life pode desenvolver-se amanhã, como ontem, é preciso ter, digamos,  um conceito particular de verdade.


E a ideia de que o trumpismo poderia ser um fascismo?

Provavelmente, há no trumpismo uma componente fascista, no sentido corrente do termo, em torno da tentação autoritária. Mas a comparação fica-se por aqui. O fascismo era uma invenção original que conseguiu fazer crer, durante um certo tempo que se podia arcaizar e modernizar ao mesmo tempo. Os  europeus aprenderam pela própria história a entender e a criticar esse cruzamento impossível. Trump é uma invenção muito mais difícil de descodificar. De que modo atribuir a multimilionários a tarefa de proteger a classe média, ao mesmo tempo que faz desaparecer o Estado-Providência? O fascismo defendia o Estado total, Trump quer «desconstruir» o Estado federal. O absurdo da sua solução ver-se-ia, não fora o negacionismo ecológico. Num certo sentido, ele é mais perverso que o fascismo.


O que Trump propõe já existe – com Erdogan na Turquia e Putin na Rússia -, ou trata-se de algo radicalmente diferente?

Há um espírito do tempo que consiste em dizer: se os problemas que temos pela frente, tais como o clima as migrações ou a finança, com os cientistasultrapassam as competências dos Estados-nação, regressemos aos Estados-nação. È uma total contradição. Não queremos admitir que pertencemos, não a um Estado-nação, mas a uma terra comum, cujos componentes têm de ser avaliados. Mas o facto é que tudo é sustentado pela negação das ciências, negação essa que existe também na Rússia e noutros lados.


Vê alguma tradução no debate político francês?

A França continua com a clássica divisão direita-esquerda. Ora, a questão ecológica só pode ser colocada se esta clivagem for ultrapassada, sem contudo se cair num «nem direita, nem esquerda»,
(…)


Se o Estado-nação não é a escala adequada para alterar radicalmente a nossa pertença ao solo, qual é a boa?

A nossa chance é a Europa. A Europa é o lugar que abandonou os sonhos imperiais e ultrapassou o Estado-nação. Trata-se da experiência mais avançada do ponto de vista da inovação política.


Não é essa a impressão que muitas vezes dá…

Para uma instituição transnacional, Bruxelas não funciona assim tão mal. Mas, temos ainda a Europa a que pertencemos, a Europa-pátria. É sob este ângulo que devemos encarar a questão dos migrantes, por exemplo. Nós, Europeus, estamos em migração no nosso próprio solo. Por exemplo, pertenço a uma família de negociantes de vinho. As alterações climáticas obrigam-nos a procurar outros lugares para plantar as vinhas, a fazer o borgonha fora da Borgonha. A minha família migra e compra novas terras; e o mesmo se passa com muitas outras empresas pelo mundo fora. Não estou a comparar isto com a tragédia dos que atravessam o Mediterrâneo numa barcaça pneumática. Mas em ambos os casos existe o fermento de uma fraternidade necessária com os migrantes. A Europa julga-se ainda como se fosse uma fortaleza, na verdade não passa de um refúgio.


Não é esse o caminho que está a seguir…

Em termos institucionais, está muito mais avançada que o Estado-nação. Muito mais inteligente, subtil, cheia de possibilidades, de direitos, de invenções. As invenções jurídicas, a moralização da vida política, a organização da atividade científica foi ela que no-las ensinou. É preciso ser inglês para o esquecer. É verdade que a Europa não se concebe como solo. Há pouco, vi, em Florença, a primeira bandeira europeia. Com seis estrelas, duas listas horizontais – uma negra, outra azul -  significando o carvão e o aço. À saída da guerra, soubemos fazer a Europa a partir de baixo, isto é, do carvão e do aço. Hoje, é preciso refazer a Europa a partir do solo. Temos a sorte de ter ultrapassado o problema da soberania, temos uma consciência histórica da nossa responsabilidade, possuímos territórios incríveis, diversos, múltiplos, temos cidades. A pátria europeia tem um enorme poder mítico e uma rara solidez científica e ecológica. Surpreende-me imenso que os candidatos à eleição presidencial quase nunca falem disto.


Onde vê os germes da esperança?

Há exemplos, por todo o lado, desde o filme «Amanhã» até aos Amap [associações de defesa de uma agricultura camponesa, n. da red.], e outras relações comerciais de proximidade, passando pelo retorno à noção de «comum». A questão da luta de classes volta, mas territorializada. Claro que isso é frequentemente perturbada pela ideia de localidade. A globalização impôs a oposição global-local e acreditou-se que bastava relocalizar para resolver o problema. Na realidade, a nossa terra distribui o local e o global de outro modo. Mas este esforço de designação, que compete aos partidos, não foi feito. Seria necessário que o ecologismo desse lugar  ao mesmo trabalho intelectual de que beneficiou o socialismo. Isto pressupõe uma aliança com os cientistas, com os movimentos de inovação social, mas também com aqueles a quem se atribui o nome de «populismo», os que aspiram a ser protegidos. Temos necessidade de proteção – Sloterdigk diz que nos faltam «bolhas» e «envelopes» -. A globalização quis fazer-nos sair de todos os envelopes, mas isso é mortal. A esquerda não deve falar de ambiente, mas de território e de classes geo-sociais, de proteção da tradição, de transmissão, de pertença.

 

 (Bruno Latour é um antropólogo, sociólogo e filósofo da ciência francês. Um dos fundadores dos chamados Estudos Sociais da Ciência e Tecnologia.)




[1] Partido conservador polaco. (n. da trad.)
[2] Historiador das ciências.  Diretor de estudos na Escola de Altos Estudos  em Ciências Sociais (n. da trad.)

segunda-feira, 29 de maio de 2017



Qu'est-ce que l'Etat islamique ?

L’origine de l’Etat Islamique et la responsabilité de l’Occident en 5 points

Josefina L.Martinez  - jeudi, 19 novembre 2015

Qu'est-ce que l'Etat islamique ? Dans quel contexte a-t-il surgi ? Comment se finance-t-il ? Quelle est la responsabilité des Etats-Unis et de l'Europe ? Cet article retrace quelques éléments clés sur la naissance et les caractéristiques du phénomène Daech.

1.

Impossible de comprendre le surgissement de l’État Islamique (EI), ni ce qui se passe actuellement au Moyen Orient, sans revenir sur les conséquences profondes, ni sur la large place des guerres en Irak et en Afghanistan.
L’invasion et la guerre en Irak, entre 2003 et 2011, fut dirigée par les États-Unis en alliance avec le Royaume-Uni, l’État Espagnol ainsi que d’autres pays.
Le principal argument utilisé pour justifier la guerre était que Saddam Hussein construisait des armes de destruction massive, mettant en danger les alliés des États-Unis dans la région ainsi que sa propre sécurité. Différentes enquêtes ont montré que c’était un mensonge complet, et que le gouvernement des États-Unis et du Royaume-Uni ont caché ces informations pour justifier la guerre.
L’invasion de l’Irak faisait partie de la stratégie de « guerre contre le terrorisme » que Bush a déployée, de la main des néoconservateurs Américains avec l’objectif de tenter d’inverser la perte d’hégémonie des États-Unis, en inventant un nouvel ennemi, « l’axe du mal ». Ils se sont nourris de l’idéologie du choc des civilisations développée par le conservateur Samuel Huntington.

2.

Les États-Unis cherchaient à « redessiner la carte du Moyen-Orient » et « moderniser l’Irak » selon le « modèle Nord-Américain », ce qui impliquait la promesse de privatisations et de juteux marchés pour les multinationales grâce au pétrole.
Cependant, la guerre a laissé un pays complètement dévasté, détruisant toutes les infrastructures basiques et les fondements du pouvoir de Saddam Hussein, sans réussir à consolider un nouveau pouvoir stable.
On compte 150000 personnes mortes des conséquences de la guerre (certaines sources multiplient pas trois ce chiffre), mais aussi des millions de déplacés et de réfugiés. A la fin de la guerre, la lutte entre les fractions religieuses rivales s’est intensifiée, encouragée par les États-Unis qui ont appuyé la majorité chiite, opprimée par le régime de Saddam, contre la minorité sunnite qui contrôlait jusqu’ici l’État. La chute du régime de Saddam Hussein a laissé 400000 membres déchus de l’armée, et des fonctionnaires du parti Baas sans travail d’un jour à l’autre. Beaucoup d’entre eux furent enfermés à la prison d’Abu Ghraib où se déroulaient toutes sortes de vexations et de tortures.
Après le retrait des troupes américaines, le gouvernement chiite a brutalement réprimé les sunnites et d’autres secteurs de l’opposition. Dans ce contexte de haine et de ressentiments, une force réactionnaire a surgi et a débouché sur la création d’Al Qaeda en Irak puis de Daesh, qui a pu recruter des ex-membres, voire officiers, de l’armée de Saddam Hussein joints aux islamistes sunnites radicalisés.
Comme l’analysait la journaliste Olga Rodriguez, les prisons irakiennes pendant l’invasion américaine, avec ses tortures et vexations inimaginables ont constitué une « école » pour beaucoup de miliciens de Daesh, motivés par leur haine contre l’Occident.

3.

L’État Islamique d’Irak et du Levant, territoire qu’ils occupent en Syrie et au Liban, plus connu sous le nom de Daesh, s’est consolidé depuis 2013, en conquérant une grande partie du territoire en Irak et en Syrie. En 2014, ils annoncent la création d’un « Califat islamique ».
L’idéologie de Daesh est théocratique et totalement réactionnaire, n’acceptant aucune déviation de ce qu’ils considèrent comme le respect des écrits de l’Islam. Ils partagent la méthode des châtiments, des décapitations et lapidations avec l’Arabie Saoudite, où tous ceux qui remettent en cause les valeurs traditionnelles, boire de l’alcool ou conduire une voiture pour les femmes, par exemple sont punis par l’enfermement en prison ou par des décapitations. Daesh a lui-même réalisé des lapidations de femmes accusées d’adultères.
Daesh proclame une « guerre contre l’Occident » et une « guerre contre les infidèles », ces musulmans qui selon eux sont « déviants » des lois de l’Islam.
Le récent attentat dans le quartier populaire de Beyrouth, revendiqué par Daesh, montre que ses attentats et ses méthodes réactionnaires sont utilisés (dans la majorité des cas) contre la population arabe et musulmane, mais aussi contre les Kurdes et tous les secteurs de la population en Syrie et en Irak.
Daesh est une force contre-révolutionnaire et bourgeoise, avec une idéologie intégriste et des méthodes aberrantes contre les populations qu’il contrôle. Ce n’est pas une organisation, comme le Hamas en Palestine ou d’autres, qui en même temps d’avoir une idéologie théocratique, expriment à leur manière des mouvements de libération nationale.
Sa principale source de financement se trouve parmi les représentants les plus puissants des bourgeoisies pétrolières d’Arabie Saoudite et du Qatar, avec la complicité des gouvernements de ces pays. Il se base aussi sur le contrôle du territoire, des saisies, vols et spécialement de l’usufruit des raffineries de pétrole, que le marché noir capitalise.
Selon certains analystes, Daesh compte plus de 20000 combattants étrangers, dont 3500 viendraient des pays occidentaux, 1200 français, 600 britanniques, belges et d’autres pays. La précarité, l’islamophobie et la répression que subissent une grande partie des musulmans des pays Européens, sème la haine dont se nourri cette organisation, et s’ajoute à cela les interventions et bombardements des pays comme la France et les États-Unis.

4.

La guerre en Syrie, qui a provoqué plus de 250000 morts en 4 ans, est l’autre terrain où Daesh a pu se renforcer.
Les intérêts locaux, régionaux et les puissances impérialistes qui s’imbriquent dans le conflit, abondent un terrain favorable pour l’avancement de l’État Islamique.
L’Arabie Saoudite, le Qatar et la Turquie appuient directement ou laissent faire les milices djihadistes qui combattent contre Al-Assad, comme Al Nosra en Syrie et Daesh. L’affrontement de l’Arabie Saoudite avec l’Iran est une coordonnée clé du conflit, qui a favorisé l’expansion de l’État Islamique, une force qui affronte les chiites iraniens. Dans le cas de la Turquie, l’offensive de Daesh contre les Kurdes, est aussi un élément crucial.
Un document de l’intelligence militaire américaine qui a filtré montrait que les États-Unis avaient connaissance que se préparait la création d’un « califat » sunnite en Syrie, mais considéraient qu’il pourrait servir à éviter le renforcement d’Assad (soutenu par la Russie et l’Iran).
De l’autre côté, les bombardements de la coalition dirigée par les États-Unis et les pays Arabes n’ont pas servi à vaincre Daesh, personne n’étant disposé pour le moment à s’embarquer dans une opération terrestre massive. Il était très couteux de répéter le désastre produit en Irak.

5.

L’échec des « printemps arabes » est une autre clé d’explication du cours contre-révolutionnaire qu’a pris la situation au Moyen-Orient, avec le renforcement des forces réactionnaires comme Daesh, la guerre en Syrie, la nouvelle offensive de l’État d’Israël contre le peuple palestinien ainsi que le tournant répressif et bonapartiste d’Erdogan en Turquie contre les Kurdes et la gauche radicale.
L’actuel tournant guerrier de Hollande en France, l’intensification des bombardements en Syrie et l’augmentation des tendances xénophobes et islamophobes en Europe, n’ont que vocation à renforcer ce tournant réactionnaire.
Traduction : Elise Duvel

                                                  revolutionpermanente.fr/ 

domingo, 7 de maio de 2017

EXISTE UMA ÉTICA UNIVERSAL?


É um facto: as normas morais divergem de cultura para cultura e o consenso não é maior no seio de uma mesma sociedade. Não é  o que confirmam os debates inflamados em torno do direito ao aborto ou sobre a pornografia? Isaiah Berlin não acredita na existência de um sistema único de valores capaz de federar todos os homens de todas as culturas. Jürgen Habermas quer ultrapassar a oposição entre universalismo (haverá uma só moral válida para todos?) e relativismo (todas as morais são aceitáveis?). Segundo ele, não se deve tentar definir a vida boa (que depende das escolhas preferenciais de cada um) mas as normas justas. Propõe, então, uma «ética da discussão», na qual “uma norma não pode pretender ser válida, se todas as pessoas envolvidas não estiverem de acordo (ou não puderem estar), enquanto participantes numa discussão prática sobre a validade dessa norma.” (Moral e Comunicação, 1999).
Numa outra perspetiva,  Michael Walzer propõe a distinção entre moral mínima (thin) e moral máxima (thick). As morais máximas correspondem às morais concretas, sistemas complexos e desenvolvidos, que são marcadas pela diversidade e pelo conflito, até. Mas é possível encontrar uma moral mínima, ou seja, uma moral comum, um núcleo de princípios que todos os seres humanos podem partilhar. É o que faz, por exemplo, com que, não obstante as divergências culturais,  um americano possa compreender um checo que, em 1989, se tenha manifestado em Praga, pela liberdade.
Resta que são as morais concretas – por vezes divergentes – as mais importantes e as interações entre as culturas permitiram, pouco  a pouco, estabelecer um “consenso por conciliação” (Morale minimale, morale maximale, 2004).
Qualquer que seja a opção acolhida, é claro que uma teoria moral pluralista, já que ela deve acolher conceções divergentes da vida boa, está obrigada a um alto grau de generalidade e a uma redefinição  dos limites da moral. É o que defende Ruwen Ogien ao propor uma “ética mínima”.

Catherine Halpern, in «Sciences Humaines», Hors-Série, nº 22, maio-junho, 2017)

quarta-feira, 3 de maio de 2017

OS PARAÍSOS FISCAIS EM MOVIMENTO






Pas de France sans autre Europe   Resultado de imagem para etienne balibar
Par Etienne Balibar, Philosophe — 2 mai 2017 à 13:36
Photo Denis Charlet. AFP

L’élection de Macron n’est pas une condition suffisante pour que la question européenne devienne le terrain d’un engagement collectif. En revanche celle de Le Pen est une recette sûre pour qu’elle soit détournée de son sens.
De quoi demain ? Je reprends ici un titre de Derrida, emprunté à Victor Hugo : il convient bien pour évoquer ce qui taraude de nombreux électeurs, dans la gauche plus ou moins radicale, au moment d’affronter le «devoir électoral» du second tour. Je ne pense pas lever les incertitudes qui nous bouchent l’horizon. Mais je voudrais tenter, à notre usage commun, de les circonscrire et de les nommer.
Nous savons contre quoi nous allons voter, pourquoi nous le faisons et comment le faire. Sans faux-fuyant, en choisissant l’adversaire de Marine Le Pen, qui porte un nom sur les bulletins : Emmanuel Macron. Ce qui est en cause n’est pas seulement le programme détestable du Front national. Ce sont les effets qu’entraînerait l’arrivée au pouvoir, ou même près de lui, d’un parti néofasciste, issu de l’Algérie française et de l’OAS, fondé sur la dénonciation de l’immigration et la désignation d’un ennemi intérieur : comme en Angleterre après le Brexit, mais à la puissance dix, une vague d’agressions racistes, islamophobes et xénophobes. Un effondrement des valeurs républicaines et des sécurités de la personne. Il ne suffit donc pas que Le Pen perde l’élection, il faut qu’elle subisse une lourde défaite. Ce n’est pas évident.
Il importe aussi de savoir pour qui nous allons voter : un technocrate ambitieux, intelligent mais minoritaire, partisan du néolibéralisme et de la «modernisation» de la société française dans un cadre européen, mis en orbite par un réseau de financiers et de hauts fonctionnaires, soutenu par une génération de jeunes adeptes de la «troisième voie», et qui s’est exprimé clairement sur les crimes de la colonisation. Mais surtout, pour quels effets à venir : comment notre vote affectera-t-il la situation que vient de révéler le premier tour ? Je ne parle pas ici de «troisième tour» ou de majorité potentielle, mais de l’état même de la politique en France. Et je me contenterai de poser deux questions.
Notre système politique est en crise institutionnelle, sans restauration possible. Comme ailleurs, bien qu’avec des traits propres, il est devenu ingouvernable par les voies «normales», dont faisait partie l’alternance des partis de centre-droit et de centre-gauche. Le fait qu’ils aient pratiqué des politiques réelles de plus en plus indiscernables, est un symptôme de cette crise, largement responsable de la délégitimation qui affecte la «forme parti», mais il en est aussi l’un des effets. Emmanuel Macron, ayant autrefois étudié la dialectique hégélienne, tente de transformer la négation en affirmation par la synthèse des contraires. En face du «ni droite ni gauche» de la tradition fasciste, il propose un «en même temps de droite et de gauche». Cela ne pourrait marcher que s’il avait les moyens d’apparaître comme un homme providentiel au-dessus des forces sociales. Comme ce n’est pas et ne sera pas le cas, la crise ira s’approfondissant, mettant en péril la solidité des idéaux démocratiques.
A nous, par conséquent, d’inventer des institutions, des formations non pas moins mais plus représentatives, et plus sincères dans l’expression des conflits réels, redonnant aux citoyens le pouvoir d’influer sur les choix de gouvernement. Ce chantier d’essence populaire et non pas populiste, que certains mouvements récents ont esquissé, y compris pendant la campagne, doit demeurer ouvert en permanence dans la période dangereuse que nous allons traverser.
Il n’est pas séparable du chantier de la «fracture sociale». Toutes sortes de formulations circulent pour expliquer que de nouveaux clivages sociaux, culturels, territoriaux, professionnels, générationnels, ont pris la relève de l’antagonisme entre la «droite» et la «gauche». Ce n’est pas faux, du moins si l’on se réfère à une définition conventionnelle. Mais la traduction de ces clivages en alternatives idéologiques comme «nationalisme contre mondialisme» ou «fermeture contre ouverture», est hautement mystificatrice ! Ce qui est vrai, c’est d’une part que les inégalités s’aggravent dramatiquement, d’autre part que des antagonismes nouveaux induits par la mondialisation surgissent entre les pauvres, ou les non-riches, plus généralement entre les travailleurs, les usagers, les fonctionnaires, les étudiants, tous assujettis aux logiques de rentabilité financière. Cela ne fait pas disparaître la lutte des classes, mais en obscurcit singulièrement les enjeux, et surtout empêche sa cristallisation dans des mouvements politiques, qui de toute façon n’est jamais allée de soi.
Pour exorciser la violence dont sont porteuses ces «contradictions au sein du peuple», pour en dégager des perspectives d’avenir, il faudra beaucoup de réflexion et de confrontations, mais surtout il faut pousser de toutes nos forces à d’autres politiques économiques : non pas sous forme de dérégulation sauvage et de restriction des droits du travail, ou inversement de protectionnisme et de renforcement des frontières, mais – comme le suggère l’économiste Pierre-Noël Giraud – des politiques néo-mercantilistes de redistribution des investissements entre les emplois nomades et les emplois sédentaires (ce qui n’est pas du tout la même chose que de choisir entre le «travail national» et l’immigration) et de transition énergétique. Or, pour des raisons d’efficacité aussi bien que de solidarité, elles n’ont de sens qu’à l’échelle de l’Europe – à condition que celle-ci, évidemment, inverse le cours qu’elle a pris depuis l’adoption du dogme de la «concurrence libre et non faussée» et de ses corrélats, l’austérité budgétaire et l’immunité des banques.
C’est pourquoi il est regrettable que, dans la campagne actuelle, le débat sur les implications européennes de la politique française se limite à des antithèses grossières, ou des considérations formelles sur les institutions de la zone euro, au lieu d’affronter la question des rapports de pouvoir dans l’espace européen, lui aussi en pleine crise systémique, et de son avenir. Pas d’autre France sans autre Europe. L’élection de Macron n’est pas une condition suffisante pour que ces problèmes deviennent le terrain d’un engagement collectif. En revanche celle de Le Pen est une recette sûre pour qu’ils soient constamment détournés de leur sens.
Du passé ne faisons pas table rase, mais tirons toutes les leçons. Par ce qu’elle révèle, par ce qu’elle fait craindre, par ce qu’elle peut susciter, l’élection n’est qu’un moment, mais incontournable. A nous de le traverser, utilement, les yeux ouverts.


domingo, 23 de abril de 2017

O MUNDO EM 2035, SEGUNDO A CIA



PARA QUEM GOSTA DE FICÇÃO (SUPOSTAMENTE ?) CIENTÍFICA



The World Factbook — Central Intelligence Agency - CIA

Estado provável do mundo daqui a 20 anos:

. futuro sombrio (envelhecimento, nacionalismos, poluição, etc.)

. influência provavelmente positiva das diásporas intelectualmente benéficas e das biotecnologias

Três cenários possíveis:
- mundo dominado por Estados isolados (nacionalismo)
- esferas de influência cultural (territórios russófonos)
- redes privadas (Igrejas, Empresas, etc.)
A escolha será entre um planeta «Trump», «Putin» ou «Bill Gates».

(fonte:«Sciences Humaines», Mai, 2017; nota de leitura)


Les vingts prochaines années – L’avenir vu par les services de renseignements américain, Bruno Tertrais, Les Arènes, 2017, 300 p.